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Sociedade entre familiares em franquias pode dar certo? Especialistas apontam vantagens, riscos e cuidados necessários

Abrir uma franquia ao lado de familiares pode parecer uma escolha natural para muitos empreendedores. Afinal, confiança, convivência e objetivos em comum costumam aproximar pais, filhos, irmãos, casais e outros parentes também no ambiente empresarial.

No franchising, esse modelo de sociedade é bastante comum. Segundo dados do Sebrae, grande parte dos pequenos negócios brasileiros conta com participação direta de familiares entre sócios, colaboradores ou gestores. Dentro do setor de franquias, embora não exista um levantamento específico consolidado, redes e consultores apontam que operações familiares fazem parte da realidade de inúmeras marcas.

Mas apesar da proximidade pessoal facilitar algumas decisões, especialistas alertam que uma franquia familiar exige praticamente os mesmos cuidados de qualquer outra sociedade empresarial.

A diferença é que, além das reuniões de trabalho, os sócios também costumam se encontrar nos almoços de domingo, confraternizações e eventos familiares.

Quando a sociedade familiar funciona bem
Para muitos empreendedores, abrir uma franquia com familiares oferece vantagens importantes.

Entre os principais pontos positivos estão:

Maior nível de confiança entre os sócios
Divisão do investimento inicial
Complementação de habilidades profissionais
Tomada de decisão mais rápida
Maior alinhamento de valores e objetivos
Em muitos casos, um sócio assume funções administrativas, enquanto outro fica responsável pela operação, comercial ou marketing da unidade.

Esse modelo permite dividir responsabilidades e reduzir a sobrecarga da gestão.

Segundo especialistas em franchising, a parceria familiar tende a funcionar melhor quando cada sócio possui um papel claramente definido dentro da operação.

Definir funções evita conflitos
Um dos principais erros das sociedades familiares é misturar relações pessoais com responsabilidades empresariais.

No franchising, isso pode gerar problemas tanto internos quanto no relacionamento com a franqueadora.

Consultores do setor recomendam que, antes mesmo da abertura da unidade, os sócios definam:

Quem será o responsável principal perante a franqueadora
Quais serão as funções operacionais de cada integrante
Como será feita a remuneração dos sócios
Como acontecerá a divisão de lucros
Quais decisões precisarão de aprovação conjunta
Mesmo em negócios familiares, profissionalizar a gestão é considerado essencial para evitar conflitos futuros.

Pró-labore precisa ser tratado com profissionalismo
Outro ponto que costuma gerar desgaste dentro de sociedades familiares é a definição do pró-labore.

Muitos empreendedores confundem lucro da empresa com remuneração pelo trabalho exercido.

No franchising, especialistas orientam que o pró-labore seja calculado de acordo com a função exercida por cada sócio na operação.

Ou seja, familiares que atuam diretamente no dia a dia da franquia devem receber conforme suas responsabilidades administrativas, comerciais ou operacionais.

Já sócios que apenas investem capital e não participam da gestão normalmente recebem resultados através da distribuição de lucros.

Transparência é fundamental
Mesmo entre parentes próximos, a transparência financeira é indispensável.

Especialistas recomendam que todas as regras da sociedade estejam formalizadas em contrato, incluindo:

Participação societária
Regras para saída de sócios
Distribuição de resultados
Responsabilidades financeiras
Processos de sucessão ou transferência de cotas
Além disso, qualquer alteração societária precisa ser comunicada à franqueadora, já que a maioria das redes exige aprovação formal para mudanças na composição dos sócios.

Casos de famílias que cresceram dentro do franchising
Diversas redes brasileiras possuem exemplos de famílias que transformaram uma unidade em operações maiores dentro do franchising.

Na Divino Fogão, por exemplo, o engenheiro Eduardo Caires iniciou sua trajetória ao lado da esposa em uma unidade na região metropolitana de São Paulo. Com o crescimento da operação, outros familiares passaram a investir na mesma rede em estados diferentes.

Segundo o empresário, cada unidade mantém gestão própria, mesmo existindo troca constante de experiências entre os familiares.

Outro exemplo vem da Jan-Pro, onde Matheus Freitas contou com apoio do pai para iniciar a operação. Com o crescimento da franquia, o pai passou a atuar diretamente na administração do negócio, enquanto o filho ficou responsável pela área comercial.

Já na OrthoDontic, a empresária Alaíde Galasso destaca que o convívio familiar dentro da empresa fortalece o relacionamento entre os sócios, embora exija maturidade para separar emoções das decisões empresariais.

Franquia familiar exige preparo emocional
Apesar das vantagens, especialistas alertam que abrir uma franquia com familiares não elimina desafios.

Diferenças de opinião, conflitos de gestão e problemas financeiros podem afetar não apenas a empresa, mas também o relacionamento pessoal.

Por isso, empreendedores experientes recomendam que os sócios tenham maturidade para separar questões familiares das decisões corporativas.

O franchising oferece processos mais estruturados, suporte operacional e modelos testados, mas o sucesso da unidade continua dependendo diretamente da qualidade da gestão dos franqueados.

Quando existe alinhamento, respeito e clareza nas responsabilidades, a sociedade familiar pode se transformar não apenas em um negócio rentável, mas também em uma parceria de longo prazo dentro do franchising.

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